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Laudos não indicam risco à saúde do consumidor, diz Maggi


O Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que já tem em mãos 12 laudos técnicos de produtos de 21 empresas investigadas na Operação Carne Fraca.

Os laudos foram feitos a partir de produtos recolhidos no comércio em 22 Estados. De acordo com o ministro, os resultados não indicaram nenhum risco à saúde.

O anúncio foi feito em entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (27).

"Nenhum dos nossos laudos indicou qualquer perigo até agora para o consumo destes produtos, tudo normal", afirmou Maggi. Segundo ele, foram recolhidas 174 amostras de produtos no comércio até agora, e novos laudos devem ficar prontos ao longo da semana.

Até agora o governo federal interditou seis frigoríficos. Quando a operação foi anunciada pela Polícia Federal, o Ministério da Agricultura interditou preventivamente três fábricas alvo da operação.

Após iniciar as fiscalizações nas 21 unidades que listou, o ministério interditou mais três locais.

Apesar disso, Maggi diz que em nenhuma empresa foi encontrado problema sanitário grave. Em uma delas, de ração para animais, havia alguns insumos vencidos; em outra, não havia ninguém para receber a fiscalização; nas outras, havia suspeitas e problemas burocráticos, disse Maggi.

A fiscalização do Ministério da Agricultura vai continuar ao longo da semana, garantiu o ministro. Ainda não há um balanço de quantos frigoríficos investigados já foram inspecionados.

Segundo o ministro, as fiscalizações continuarão ao longo da semana, mas ele tratou de tranquilizar a população. O Ministério da Agricultura fez questão de explicar que o recolhimento de alguns produtos determinado pelo governo também não significam risco à população.

"Foram recolhidos produtos com irregularidades menores, como proporção errada de ingredientes, uso de carne de frango ao invés de de peru e por aí vai, nada perigoso, podem ficar tranquilos", disse o ministro.

Intervenção em superintendências

Maggi aproveitou a coletiva para anunciar que será designado um interventor até o final de semana nas superintendências do Paraná e de Goiás.

"No Paraná e em Goiás, vamos fazer uma intervenção. A partir de amanhã ou depois vamos indicar os interventores. Uma pessoa isenta de tudo para fazer uma varredura nesses locais", afirmou ele.

O ministro ainda falou sobre as indicações políticas no âmbito da fiscalização do órgão. "Deve haver brigas políticas dentro das superintendências, e talvez parte das denúncias ou problemas surja disso. Queremos levantar todos os problemas."

"Quando chega alguém por indicação política, eu digo: 'olha, vocês chegaram com indicação política, mas a responsabilidade de vocês é com o Ministério da Agricultura e não tem que consultar nem dar satisfação para ninguém fora a gente'", disse ao defender que as indicações não significam necessariamente corrupção.

Maggi ainda falou sobre as exigências da China para liberar totalmente a importação da carne brasileira. "A China exigiu saber quais cargas foram certificadas por fiscais investigados. Passamos a lista e eles decidiram que não querem os produtos certificados por estes fiscais e eles serão devolvidos ao Brasil."

Para o ministro da Agricultura, o Brasil vai penar para recuperar a credibilidade no mercado internacional.

"Eu acho que nós teremos problemas, já que nossa imagem foi muito atacada nos últimos dias, os comentários fora são muito ruins, e nossos concorrentes estão aproveitando este momento de fragilidade para tentar conquistar nosso mercado", disse o ministro.

Ele recomenda que toda a cadeia produtiva e entidades representativas saíam a campo em corpo-a-corpo com os clientes internacionais para recuperar a confiança do mercado externo.

O presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro, estimou em US$ 1 bilhão o prejuízo nas exportações do setor em 2017 depois da operação da Polícia Federal.

Porém, o especialista acredita que não há opção pção à carne brasileira no mercado e que as exportações vão voltar ao normal assim que tudo for esclarecido e a confiança do mercado voltar.

Em encontro com empresários mais cedo, o ministro prometeu  que frigoríficos que não são citados nas investigações sobre irregularidades na produção de carnes vão receber da pasta da Agricultura, quando solicitarem, ofícios atestando que não têm qualquer relação com o caso, a fim de que possam enviá-los a importadores.

Recall

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão que faz parte do Ministério da Justiça e Segurança Pública, informou nesta segunda-feira (27) que incluiu mais frigorífico no recall de carnes: a unidade da empresa Peccin Agro Industrial localizada na cidade de Jaraguá do Sul (SC). Outra unidade da mesma empresa, em Curitiba (PR), já havia sido incluída no pedido de recall na última semana.

Ao todo, a secretaria já pediu que quatro frigoríficos recolham seus produtos do mercado desde que foi deflagrada a operação Carne Fraca da Polícia Federal. São eles:

Peccin Agro Industrial, unidade de Curitiba (PR) (SIF 2155);
Peccin Agro Industrial, unidade de Jaraguá do Sul (SC) (SIF 825);
Souza Ramos, da fábrica em Colombo (PR) (SIF 4040);
Transmeat, do frigorífico em Balsa Nova (PR) (SIF 4644).

Os clientes terão direito ao reembolso do valor pago, segundo o ministério. As empresas ainda precisam definir como será feito o recolhimento dos produtos e informar quais os meios para o consumidor entrar em contato.

Falta de controle

O novo pedido de recall foi feito após o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) enviar à Secretaria Nacional do Consumidor a documentação da auditoria feita no frigorífico da Peccin em Jaraguá do Sul (SC).

O documento diz que "o estabelecimento não detém controle dos processos relacionados a controle de matéria-prima, formulação e rastreabilidade de seus produtos".
"Diante desses fatos, considerados indicativos de risco à saúde, o Ministério determinou o recolhimento dos produtos provenientes daquele estabelecimento", diz a secretaria em nota.

Fonte : midianews

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