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Brasileiros mudaram hábitos após incêndio na Kiss, diz pesquisa


Dois anos depois do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, 81% dos brasileiros mudaram seu comportamento em lugares públicos, aponta uma pesquisa feita em todo o país por uma empresa privada da área de segurança divulgada nesta terça-feira (27). A tragédia na casa noturna, em 27 de janeiro de 2013, matou 242 pessoas.
A maioria dos entrevistados também disse que se sente menos seguro hoje do que antes da tragédia em espaços públicos como casas noturnas, prédios de escritórios, shoppings e restaurantes. A maior parcela afirmou ainda que seus locais de trabalho modificaram os procedimentos contra incêndio após o incêndio de Santa Maria, mas que não receberam nenhum treinamento em como agir em caso de emergência.
Responderam a um questionário via internet 1.011 pessoas, com idades entre 18 e 64 anos, em todas as regiões do país, entre os dias 12 e 17 de dezembro. O levantamento foi feito pela consultoria KRC Research para a multinacional americana Honeywell, que atua na área de sistemas de prevenção a incêndio e segurança.
Segundo os dados da enquete, 99% dos entrevistados disseram que se lembram da tragédia na Kiss. Desses, quatro em cada cinco afirmaram que mudaram seu  comportamento ou atitude em espaços públicos. Em um questionário de múltipla escolha, 45% responderam que provavelmente passaram a olhar saídas de emergência em prédios e 40% que evitam lugares com aglomeração de pessoas. A existência de uma única porta de saída e a superlotação foram fatores que contribuíram para a tragédia na Kiss.
O percentual dos que não mudaram de comportamento ou mentalidade foi de 18%. Aqueles que não têm filhos em casa (21%) e solteiros (22%) são mais propensos a dizer que o seu comportamento não mudou desde 2013, em comparação com aqueles com crianças na família (14%) ou casados (15%).
Os números da pesquisa
81% mudaram de comportamento após o incêndio na Kiss
45% tendem a olhar saídas de emergência e 40% a evitar lugares com superlotação. 18% não mudaram de comportamento
45% nunca participaram de treinamento contra incêndio nos seus locais de trabalho
72% acham que os governos não estão fazendo o suficiente em termos de legislação para garantir a segurança contra incêndios
Após o incêndio na Kiss, 57% dos que exercem alguma atividade profissional disseram que seus locais de trabalho alteraram os procedimentos de segurança e 21% disseram que não. Por outro lado, 45% responderam que nunca participaram de uma simulação de incêndio no seu ambiente de trabalho ou não se lembram da última vez que participaram desse tipo de treinamento.
Em relação às políticas e mecanismos de prevenção contra incêndio no país, os brasileiros apontaram em um questionário de múltipla escolha que empresários e gestores (94%), bombeiros e polícia (94%) e governos federal e estadual (92%) são os responsáveis por garantir a segurança contra incêndio em locais públicos.
A grande maioria dos entrevistados (81%) acredita que os governos não estão fazendo o suficiente para informar ou educar a população sobre como reagir em caso de incêndio ou para aperfeiçoar a legislação (72%). Em termos gerais, 79% também  acham que o perigo representado pelo fogo recebe menos atenção do que merece.
Novas leis ainda não emplacaram
Para o engenheiro Telmo Brentano, especialista em prevenção de incêndios que fez parte de uma comissão especial do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RS) responsável por elaborar um relatório sobre a tragédia na Kiss, em termos gerais, as condições de segurança em casas noturnas e outros espaços públicos avançaram depois dos episódios de Santa Maria.
“Estive em algumas casas noturnas e o que constatei é que melhorou bastante do ponto de vista da segurança. O problema é que o povo brasileiro é reativo, não é preventivo. Ou seja, aqui só se reage a uma situação, nunca se previne. O projeto de lei contra incêndio estava na gaveta da Assembleia desde 1999, há mais de 10 anos engavetado. Depois da tragédia, em 10 meses fizeram uma nova lei”, critica.
Bombeiro vistoria equipamento proteção contra incêndio (Foto:  Vanessa Silva/Divulgação PMPA)Bombeiros ainda não podem aplicar novas multas
no RS (Foto: Vanessa Silva/Divulgação PMPA)
A nova lei estadual de prevenção a incêndios foi aprovada e sancionada em dezembro de 2013. Porém, a regulamentação, que permite e efetiva aplicação das novas normas, só saiu em setembro de 2014, quase um ano depois. Hoje, ainda falta um conjunto de resoluções técnicas que impede, por exemplo, a aplicação de novas multas, mais rigorosas, para quem descumprir a legislação.
“Nós temos ainda um prazo de adaptação que a lei dá para as adequações às exigências de sistemas de segurança. Estamos normatizando a situação através de resoluções técnicas que passam pelo Conselho Estadual de Segurança, Prevenção e Proteção Contra Incêndios”, diz o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Eviltom Pereira Diaz.
Ao logo do processo, a nova legislação também sofreu o que alguns chamaram de “flexibilizações”. A primeira delas foi o fim da exigência de alvará dos bombeiros para que as prefeituras pudessem emitir licenças de funcionamento para estabelecimentos de menor risco. Outra alteração foi a que permite que estabelecimentos de até 1,5 mil metros quadrados possam apresentar Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI) simplificado. A mudança, que beneficia principalmente Centro de Tradições Gaúchas (CTGs) e clubes, foi vetada pelo então governador Tarso Genro e agora terá de ser apreciada pela Assembleia, a partir de fevereiro.
Já a nova lei federal foi aprovada na Câmara dos Deputados em abril do ano passado e desde então aguarda votação no Senado. Entre outras normas, o texto define as responsabilidades de bombeiros e agentes públicos na fiscalização dos estabelecimentos, prevê a criminalização da superlotação em casas noturnas e similares e extingue o sistema de pagamento com comandas – todos fatores que contribuíram para a tragédia em Santa Maria.
Entenda
O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, ocorreu na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013. A tragédia matou 242 pessoas, sendo a maioria por asfixia, e deixou mais de 630 feridos. O fogo teve início durante uma apresentação da banda Gurizada Fandangueira e se espalhou rapidamente pela casa noturna, localizada na Rua dos Andradas, 1.925.
O local tinha capacidade para 691 pessoas, mas a suspeita é que mais de 800 estivessem no interior do estabelecimento. Os principais fatores que contribuíram para a tragédia, segundo a polícia, foram: o material empregado para isolamento acústico (espuma irregular), uso de sinalizador em ambiente fechado, saída única, indício de superlotação, falhas no extintor e exaustão de ar inadequada.
Ainda estão em andamento os processos criminais contra oito réus, sendo quatro por homicídio doloso (quando há intenção de matar) e tentativa de homicídio, e os outros quatro por falso testemunho e fraude processual. Os trabalhos estão sendo conduzidos pelo juiz Ulysses Fonseca Louzada. Sete bombeiros também estão respondendo pelo incêndio na Justiça Militar. O número inicial era oito, mas um deles fez acordo e deixou de ser réu.
Entre as pessoas que respondem por homicídio doloso, na modalidade de “dolo eventual”, estão os sócios da boate Kiss, Elissandro Spohr (Kiko) e Mauro Hoffmann, além de dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o funcionário Luciano Bonilha Leão. Os quatro chegaram a ser presos nos dias seguintes ao incêndio, mas a Justiça concedeu liberdade provisória a eles em maio de 2013.
Atualmente, o processo criminal ainda está em fase de instrução. Após ouvir mais de 100 pessoas arroladas como vítimas, a Justiça está em fase de recolher depoimentos das testemunhas. As testemunhas de acusação já foram ouvidas e agora são ouvidas as testemunhas de defesa. Os réus serão os últimos a falar. Quando essa fase for finalizada, Louzada deverá fazer a pronúncia, que é considerada uma etapa intermediária do processo.
No dia 5 de dezembro de 2014, o Ministério Público (MP) denunciou 43 pessoas por falsidade ideológica e falso testemunho. Essas denúncias tiveram como base o inquérito policial que investigou a falsificação de assinaturas e outros documentos para permitir a abertura da boate junto à prefeitura. Em aditamento à denúncia feita em 2013, os sócios da boate também foram acusados do mesmo crime.
Fonte: G1

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